Cirurgia das Mamas

Mastopexia pode ser feita junto com abdominoplastia?

Entenda quando mastopexia e abdominoplastia podem fazer parte do mesmo planejamento cirúrgico e o que precisa ser avaliado.

Dr. Edmar Minchio

Dr. Edmar Minchio

Cirurgião Plástico - RJ

Sim, mastopexia e abdominoplastia podem ser realizadas na mesma cirurgia em pacientes selecionadas. Essa associação pode ser considerada principalmente quando existem alterações nas mamas e no abdome após gestação, amamentação, emagrecimento ou mudanças importantes de peso.

Entretanto, realizar os dois procedimentos juntos não é automaticamente a melhor escolha. Durante a consulta, avalio a extensão de cada cirurgia, as condições clínicas da paciente e o tempo cirúrgico previsto para definir se a associação pode ser realizada com segurança.

Por que mastopexia e abdominoplastia podem ser associadas?

As duas cirurgias tratam regiões diferentes.

A mastopexia é direcionada principalmente ao reposicionamento das mamas e ao tratamento do excesso de pele mamária.

A abdominoplastia pode ser indicada quando existe excesso de pele abdominal e, em determinados casos, alterações da parede abdominal, como a diástase dos músculos retos.

Quando a paciente apresenta as duas condições e possui indicação para ambas as cirurgias, é possível discutir se os procedimentos podem fazer parte do mesmo planejamento.

Essa associação é comum depois da gravidez?

É uma situação que pode aparecer após uma ou mais gestações.

Durante a gestação, tanto as mamas quanto o abdome passam por mudanças importantes.

Depois desse período, algumas mulheres percebem queda das mamas, perda de volume mamário, excesso de pele abdominal ou afastamento da musculatura do abdome.

Quando existem queixas nas duas regiões, avaliamos cada uma separadamente antes de decidir se as cirurgias podem ser associadas.

Preciso ter filhos para fazer mastopexia com abdominoplastia?

Não.

Embora essa combinação seja frequentemente procurada por mulheres que passaram por gestações, gravidez não é um requisito para realizar as cirurgias.

Variações importantes de peso e características individuais da pele também podem provocar alterações nas mamas e no abdome.

A indicação depende das características encontradas durante a avaliação, e não simplesmente do histórico de gravidez.

A mastopexia precisa ser feita com prótese?

Não necessariamente.

A possibilidade de realizar mastopexia com ou sem prótese continua sendo avaliada mesmo quando a cirurgia será associada à abdominoplastia.

Se existe tecido mamário suficiente e a paciente deseja manter seu próprio volume, podemos discutir uma mastopexia sem implante.

Quando também existe desejo de acrescentar volume e há indicação, a utilização de prótese pode entrar no planejamento.

Portanto, associar mastopexia e abdominoplastia não significa obrigatoriamente colocar prótese mamária.

E se eu quiser diminuir as mamas?

Isso também precisa ser considerado.

Algumas pacientes apresentam mamas caídas, mas estão satisfeitas com o volume. Outras desejam levantar e também diminuir o tamanho das mamas.

Quando existe necessidade de uma redução mais significativa de tecido mamário, o planejamento pode se aproximar de uma mamoplastia redutora.

Essa diferença é importante porque modifica a extensão da cirurgia que será associada ao procedimento abdominal.

O que a abdominoplastia pode tratar?

A abdominoplastia não deve ser entendida simplesmente como uma cirurgia para retirar gordura do abdome.

O procedimento pode ser considerado principalmente quando existe excesso de pele abdominal e determinadas alterações da parede abdominal.

Durante a avaliação, observo a quantidade e distribuição do excesso de pele, presença de diástase abdominal, posição e características do umbigo, cicatrizes anteriores, distribuição de gordura e qualidade da pele.

Esses fatores ajudam a definir a extensão do procedimento.

Mastopexia com abdominoplastia é o mesmo que Mommy Makeover?

O termo Mommy Makeover costuma ser utilizado para descrever um planejamento que associa procedimentos em regiões modificadas após a gestação, frequentemente envolvendo mamas e abdome.

Entretanto, o termo não representa uma única cirurgia ou uma combinação obrigatória de procedimentos.

Uma paciente pode precisar de mastopexia e abdominoplastia. Outra pode apresentar necessidades diferentes.

Prefiro definir o planejamento pelas alterações anatômicas e pelas indicações de cada procedimento, em vez de partir de um pacote predeterminado de cirurgias.

Posso fazer lipoaspiração junto?

Em determinados casos, a lipoaspiração também pode ser considerada no planejamento do contorno corporal.

Entretanto, acrescentar outro procedimento aumenta a extensão total da cirurgia.

Por isso, a pergunta não deve ser apenas quantas cirurgias podem ser realizadas de uma vez, mas qual combinação é adequada para aquela paciente dentro de um planejamento seguro.

Nem tudo que tecnicamente pode ser associado necessariamente deve ser realizado no mesmo momento.

Existe limite para associar cirurgias?

A associação precisa considerar vários fatores.

Entre eles estão a extensão dos procedimentos, o tempo cirúrgico, as condições clínicas da paciente, o risco individual, a recuperação necessária e a estrutura onde a cirurgia será realizada.

Por isso, não utilizo uma regra baseada apenas no número de procedimentos.

Duas cirurgias de menor extensão podem representar um planejamento muito diferente de duas cirurgias mais complexas.

Quando pode ser melhor fazer as cirurgias separadamente?

Existem situações em que dividir o tratamento em etapas pode ser mais adequado.

Isso pode acontecer quando a combinação tornaria o procedimento muito extenso ou quando alguma característica clínica exige um planejamento mais conservador.

Também pode haver casos em que a paciente possui indicação clara para tratar uma região, mas ainda não definiu o que deseja fazer em outra.

Realizar tudo no mesmo momento não deve ser um objetivo por si só.

Fazer as duas cirurgias juntas diminui o tempo total de recuperação?

Existe apenas um período pós-operatório para os procedimentos realizados naquele momento, mas isso não significa necessariamente uma recuperação mais simples.

Quando tratamos mamas e abdome simultaneamente, a recuperação precisa respeitar as limitações das duas regiões.

Atividades que seriam relativamente fáceis após uma cirurgia isolada podem exigir mais cuidado quando os procedimentos são combinados.

Por isso, a organização do pós-operatório é uma parte importante dessa decisão.

Quanto tempo preciso ficar afastada do trabalho?

O período depende da extensão da cirurgia e principalmente da atividade profissional.

Como a associação com abdominoplastia torna o planejamento diferente de uma mastopexia isolada, não devemos utilizar automaticamente o mesmo período de afastamento.

Quem trabalha em atividade administrativa possui necessidades diferentes de quem precisa permanecer muitas horas em pé, dirigir, carregar peso ou realizar esforço físico.

O retorno deve ser definido de acordo com a evolução pós-operatória.

Quando posso voltar à academia?

O retorno aos exercícios acontece progressivamente e depende da recuperação das duas regiões operadas.

Após uma cirurgia combinada, não é adequado considerar apenas como as mamas estão evoluindo ou apenas como está o abdome.

A liberação precisa levar em conta o conjunto do procedimento.

Exercícios e cargas são retomados conforme a evolução e as orientações durante o acompanhamento pós-operatório.

Posso fazer mastopexia e abdominoplastia se ainda pretendo engravidar?

Uma futura gestação pode provocar novas alterações tanto nas mamas quanto no abdome.

Isso não significa que uma mulher que deseja engravidar novamente esteja automaticamente impedida de realizar cirurgia plástica.

Entretanto, os planos de gestação precisam ser discutidos durante a consulta porque podem influenciar o momento escolhido para os procedimentos.

Em determinados casos, pode fazer sentido adiar a cirurgia.

Como saber se posso realizar as duas cirurgias juntas?

Primeiro precisamos confirmar se existe indicação para cada procedimento individualmente.

No caso das mamas, avalio queda, excesso de pele, quantidade de tecido mamário, posição das aréolas e o volume que a paciente deseja manter.

No abdome, analiso excesso de pele, parede abdominal, diástase quando presente, distribuição de gordura e cirurgias anteriores.

Depois disso, considero as condições clínicas da paciente e a extensão do planejamento como um todo.

É essa avaliação conjunta que permite discutir se mastopexia e abdominoplastia podem ser realizadas no mesmo momento ou se é mais adequado dividir o tratamento em etapas.

Conclusão

Mastopexia e abdominoplastia podem ser realizadas juntas em pacientes selecionadas, especialmente quando existem alterações nas mamas e no abdome que possuem indicação cirúrgica.

A mastopexia pode ser planejada com ou sem prótese e, quando necessário, também pode envolver redução do volume mamário. A cirurgia abdominal, por sua vez, precisa ser definida de acordo com as alterações encontradas no abdome.

Mais importante do que simplesmente associar procedimentos é avaliar se essa combinação faz sentido e pode ser realizada dentro de um planejamento adequado para aquela paciente.

Durante a consulta, avalio as mamas, o abdome, o histórico clínico e os objetivos da paciente para definir se as cirurgias podem ser realizadas juntas ou se é preferível planejar etapas diferentes.

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